I – A FORMIGA BOA
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé de um formigueiro. Só parava, quando cansadinha: e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo, afinal, passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco, e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma sas a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
_ que quer? – perguntou examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
_ Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
_ que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois de um acesso de tosse:
_ Eu cantava, bem sabe...
_ Ah!... exclamou a formiga recordando-se. _ Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós trabalhávamos para encher as tulhas?
_ Isso mesmo, era eu...
_Pois entre amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre amiga, que aqui terá cama e mesa durante o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.





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