Depois de um longo período sem muita vontade de blogar, meio sem assunto e arrastado pela natureza de um acidente ocorrido na minha família que me fez ficar muito tempo distante da rede virtual, aqui me apresento novamente para as letrinhas da internet, onde posso comentar fatores pequenos e corriqueiros. Sempre me esforcei por pensar em coisas interessantíssimas para que eu construísse um blog coeso, dinâmico, seguidor de uma linha específica de raciocínio, mas com o desenrolar das semanas, descobri que isso é uma caracteristica quase impossível de ser conseguida. O humor varia, os dias variam e vc por consequência também fica variado. Conclusão: Blog variado, assuntos diversos, coisas sem pé nem cabeça e provas cabais de que minha mente é uma verdadeira balbúrdia criativa e de certa forma, tambem incomunicável devido à quantidade de ruído que tem no meio dela.... O feriadão rendeu culturalmente falando. Numa visita não programada a uma locadora, em meio à tanta coisa inútil lá, encontrei dois DVDs que constavam na minha lista que aguardavam ser vistos e digeridos há muito tempo. Foram especiais porque me fizeram parar de pensar e absorver a história, para depois voltar a pensar com mais rapidez ainda e com um conteúdo melhorado tambem. Má Educação (la mala educación) Terrivelmente belo. É assim que posso resumir o último filme do Almodóvar. Numa só tacada, ele joga em nossos olhos as dores e vergonhas sobre assuntos quase impossíveis de serem comentados em família. Em questão de minutos vertem pela tela as controvérsias sobre travestismo, homossexualidade, pederastia, abuso sexual de crianças. Me considero um cara open-minded, então nao tive culpas ou vergonhas que me impedissem de digerir o assunto com calmaria, podendo assim, filtrar o choque visual e me concentrar nas pequenas levezas proporcionadas pelo filme. Um fotografia genial, com momentos delicados e impactantes associados a uma trilha sonora de delicadeza desproporcional ao filme. Uma combinação perigosa, que nas mãos do Almodóvar transformam-se em adrenalina cerebral, fazendo suas entranhas se transformarem em algo meio desconfortável durante o filme, mas que voce não arreda o pé antes de terminar de ver e ficar de boca aberta com o final, sempre surpreendente. Quer saber mais? Vai ver o filme então bocó! Deixe seus preconceitos no banheiro e arregale os olhos. Agarre a bacia de pipoca e observe o amigo Paquito no filme com uma participação minúscula, mas hilária. Anjos na América ( Angels in America ) Desde as primeiras sinopses na internet, eu me coçava para assistir o filme. Não tive a oportunidade nas salas de cinema e neste fim de semana o DVD saltou em minhas mãos na locadora. Foi um apelo irresistível. No balcão da locadora, a funcionária me disse: "São 6 horas de filme em 2 DVDs. Vc vai levar mesmo assim?" Olhei pra garota com meu olhar mais profundo e disponível naquele momento, estufei o peito com minha coragem intelectualizada e disse "Sim", como quem aceita a penitência imposta pelo padre depois de um pecado socialmente condenável.... Angels in America fala sobre o aparecimento da AIDS nos anos 80 nos EUA, quando as primeiras questões éticas sobre o assunto começaram a surgir. Como dar a notícia de seu diagnóstico ao seu parceiro, naquela época, uma notícia de morte próxima e repleta de muito sofrimento? Pois é, o casal retratado não resiste e se desfaz. Soropositivo, o protagonista atravessa a seara do sofrimento repleto de alucinações espitritualistas, mescladas e confusas, que nos fazem duvidar se é uma experiencia extra-sensorial ou se trata de alucinação provada pelo HIV. Destaque para a aparição do anjo, que através da Emma Thompson ganhou um ar de debutante em festa de 15 anos e com um aspecto ao mesmo tempo maquiavélico. Soberbo. Na verdade trata-se de um seriado, produzido pela HBO para a TV americana, mas que através de 6 capitulos mostra os anos perdidos da era Reagan, quando a AIDS era tratada com uma epidemia gay, presente apenas na escória sodomita. Criativo, um relato triste de como o ser humano pode ser deplorável através do advogado Roy (Al Pacino) que através de seu poder de advogado, viveu uma vida inócua e cretina de dupla personalidade fazendo sexo com outros homens, contraindo AIDS e sucumbindo sob muito sofrimento, assistido pelo fantasma de Ethel Rosenberg (Merryl Streep) uma de suas vitórias jurídicas, que foi executada no passado. De certa forma, a vingança de Ethel é doce e fria, servida em pequenas doses em que ela se delicia calmamento, sorvendo os momentos com delicadeza astuta. Sair do armário é uma situação triste e libertadora. Toda liberdade tem seu preço, bom ou ruim, ruim na grande maioria das vezes cujas feridas demoram a curar, ou mesmo nunca se curam. O outro casal sucumbe à esta revelação, a esposa surtada com Valium, curte suas viagens com seu amigo imaginário, numa fuga de consciência em busca da auto segurança num virtual não real, confortável, e ao mesmo tempo impreciso. Tipico resultado das drogas. Sair do armário, se descobrir, se apaixonar pela primeira vez, loucamente e como sempre, pela pessoa errada. Aquela pessoa que tripudia sobre voce, sobre seus sentimentos, que te usa e te descarta. A humanidade foi bem retratada. A viagem nos capitulos da série, no final dá a entender que o autor surtou enquanto escrevia. O final deixa a desejar algo mais palpável, mais consciente, mais apropriado, mas nem sempre a arte relata a vida com fidelidade. Mais uma vez, dispa-se de seus preconceitos, reserve dois dias para assitir com calma, relaxe e reflita. Garanto que voce vai encontrar muito material para pensar. Agora, se voce não gosta de pensar, compre um ingresso no Brinco da Princesa e vá assitir ao Derby, Garaní e Ponte Preta. Sou resistente, ainda prefiro pensar. Desculpa aí pela viagem nos comentários. A ausência virtual deve ter provacado isso. Um grande abraço. Prometo novamente, a regularidade.








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