A primeira coisa que ví na televisão hoje, foram as imagens das bombas no metrô de Londres na Fox News. Passei pra BBC e lá estava a confirmação das explosões por mais um ataque terrorista. Em seguida, mais uma confirmação de que mais uma bomba havia explodido num ônibus double-decker (aquele ônibus vermelho e de dois andares típico de Londres), deixando a parte superior do ônibus aberta como se fosse uma lata de sardinhas. 37 mortos e cerca de 190 feridos, incluindo aí pessoas que perderam a visão devido aos fragmentos dos vidros, amputações de membros e um número muito grande de ferimentos que vão deixar cicatrizes, inclusive as psicológicas.
Voltei a me sentir como na manhã de 11 de setembro de 2001, quando o World Trade Center veio abaixo em New York: um estarrecimento, uma espécie de dor sem sentido, uma revolta crescente que não pode ser curada e principalmente a certeza de como o ser humano pode ser capaz de causar dor a outro ser humano por razões absurdamente cretinas. Acho que dentre as sensações que tive na manhã de hoje, essa certeza de que o homem pode ser muito violento com outros homens. A própria palavra terrorismo significa isso: o ato de causar dor e sofrimento a inocentes, indiscriminadamente, apenas por serem de nacionalidades cujos países não reconheçam regimes políticos ou facções estrangeiras radicalistas, no caso de hoje, aos ingleses, cujos governantes enviaram milícias ao Iraque em apoio aos Estados Unidos na Guerra do Iraque.
Senti uma grande pena dos londrinos, que ainda ontem comemoravam a vitória sobre Paris na escolha da cidade sede dos jogos olímpicos de 2012. Apesar de não me fazer diferença em qual país a Olimpíada venha a acontecer, eu nutria uma certa simpatia por Londres. Talvez devido àquela famosa dificuldade dos franceses em lidar com os estrangeiros, digo isso por experiência própria.
Mas enfim, o ser humano é torpe, é capaz de atrocidades, e nesse caminhar da violência, fico pensando em qual grau poderemos vir parar num dia desses. Me assusto em pensar que poderemos ligar a TV digital daqui uns anos e achar a maior normalidade os ataques terroristas pelo mundo todo, inclusive no Brasil. Foi pouco divulgado pela mídia internacional, mas o Paraguay aceitou o pedido dos Estados Unidos em instalar uma base militar na divisa com o Brasil, justamente na região de Itaipú, a maior usina hidrelétrica do mundo, um manancial praticamente inesgotável de energia. Deve ser acrescentado que esta área encontra-se no centro da América do Sul, muito próximo à tríplice fronteira, formada pelo Brasil, Paraguay e Argentina. Na parte brasileira, está a maior colônia de muçulmanos fora dos países árabes, ali em Foz do Iguaçu. Não preciso dizer que estamos entrando na linha de tiro não? Querendo ou não, a violência internacional está a poucos passos de nós, e sinceramente, continuo torcendo para que o terrorismo se mantenha longe de nós brasileiros.
Tenho um amigo virtual em Tel-Aviv, Israel. Numa de nossas conversas, ele me perguntou como era possível viver num país com um índice tão grande de violência urbana. Expliquei a ele um pouco de nossas vidas brasileiras e disse a ele que certos momentos era meio complicado. Ele me disse em seguida que eles vivem em pânico constante também devido ao conflito com os palestinos. Disse ainda que era comum o sentimento de medo ao entrar num ônibus, olhar o cidadão sentado no banco ao lado e imaginar que ele pode ser um homem bomba. Ou então, estando no seu carro no trânsito, que muito assustador imaginar que a pessoa no carro ao lado poderia explodir matando muitos inocentes.
O mundo está mudando, e devemos nos acostumar a isso. Não gostaria de me acostumar a isso tudo, mas Marina Colassanti já dizia “ ... a gente se acostuma a ralar o peito para viver”. Acho que vamos nos acostumar de novo. Não sei até quando, mas vamos.
Minhas orações aos ingleses, especialmente aos londrinos.
Take care you all fellows.





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